Há algum tempo participo das Pastorais Sociais, em especial
da Campanha da Fraternidade, onde a cada ano, aprofundamos temas bíblicos
ligados à questões sociais. Percebo que na cidade de Guarulhos, não temos conseguido
implantar novos projetos a partir de políticas públicas, e nem mesmo provocar
mudanças pessoais.
Participando nas Pastorais Sociais no âmbito diocesano e
paroquial, também vejo a luta diária de cada agente, e a forma como se entregam
na missão. Porém é notável a necessidade
de novos agentes, tendo em vista as lutas de cada dia, emerge o comprometimento
de novos agentes e mudanças reais na realidade dos “assistidos”.
Fui convidado para assessorar um dos encontros da Semana de
Formação Diocesana com o tema “Uma Igreja Misericordiosa à luz da Doutrina
Social”. Interessante que ao refletir o tema juntamente com a equipe, na sua
maioria padres da Diocese, conhecedores da Palavra, com aprofundamento em seus
estudos acadêmicos e principalmente com a realidade social que lhes foram
confiados, vimos a dificuldade de relacionar a fé e os textos bíblicos, com o
tema da Misericórdia. Sentimos a real
necessidade de meditar a Misericórdia como a presença do próprio Deus que sente
o sofrimento do seu povo, e neste sentido compreendemos que não é possível
falar de Misericórdia sem olhar a vida e as mudanças sociais com a radicalidade
que o Evangelho nos pede, tendo como fonte a palavra da Igreja a partir das
obras Corporais e Espirituais.
A partir disso surgem inquietações: Como nos alimentar todo
domingo da Palavra de Deus e da Eucaristia; fazer o encontro pessoal com o
ressuscitado, e depois acolhido pelo próprio Mestre ser enviado por ele a
praticar a Misericórdia, e não nos comprometermos em resgatar a dignidade a
seus filhos e construir um mundo mais justo e solidário?
A experiência deste estudo contribuiu para uma decisão pessoal,
de participar mais ativamente das ações sociais, dos movimentos, conhecer àqueles
que lutam por um mundo melhor, e por tantas motivações, não necessariamente
religiosas.
Me sinto ainda provocado
pelas palavras de nossos bispos: Dom Joaquim Justino (in memorian) que nos
dizia: “Quero uma pastoral que proponha e que não fique chorando”; Dom
Edimilson motivou os leigos coordenadores das Pastorais Sociais para uma formação
que favoreça a espiritualidade do seguimento de Jesus. Dizia ele, que “este
pode ser um caminho para a participação de mais agentes dispostos a dar à vida
em favor da vida de muitos sofredores”.
Hoje compreendo o que nossos dois pastores quiseram dizer, e
me sinto um agente de pastoral mais comprometido a partir das provocações da
Semana de Formação Diocesana 2016.
E afirmo isso porque estou participando do Fórum da Saúde com
um assunto muito importante que é o Hospital Stela Maris. Acompanhando as
dificuldades e lutas no hospital Pimentas, e do caos da saúde em Guarulhos,
como Pastorais Sociais realizamos o Movimento na cidade e passeata para exigir mais
hospitais, atendimento de qualidade, mais médicos e postos de saúde, mas não
foi o suficiente. Sabemos que é necessário exigir sempre e mais!
Nós agentes das Pastorais Sociais não somos poucos e ainda
podemos contar com muitas outras pessoas de bem que procuram dar sua
contribuição. E nós, como leigos engajados na Igreja Católica precisamos contribuir
de forma participativa e deliberativa nas questões de Politicas Publicas, pois
como o Papa Francisco nos ensina: “A Política é o Dom Supremo da Caridade e é
através dela que podemos construir uma sociedade melhor”.
O desafio, como nos estudos da Semana de Formação é saber
como colocar em prática, como sair fortalecido da missa e ir em missão.
Em nossa última reunião das Pastorais Sociais, dia 08 de
agosto, o Padre Frizzo assessor
diocesano da Pastoral Fé e Política, trouxe a proposta que surgiu dos vários
encontros da Escola de Fé e Política, que é a discussão de Planos de Metas para
a cidade, fazer o “empoderamento” político das pessoas, a partir de vários
temas relacionados as necessidades sociais.
De imediato pensei,
como será possível colocar isso em prática? Mas logo percebi que é a mesma
dificuldade de transpor a fé, para a fé e vida. É preciso acreditar nos dons
que Deus nos dá e deixar-se lapidar por Ele.
Também resolvi apoiar ou indicar candidatos a vereados
entendendo que é necessário ter pessoas comprometidas com as ações sociais, e imbuídos
da vocação de servir ao próximo pelo dom na atividade política. Os critérios
que tentei usar foi de selecionar pessoas que já atuam como agentes
transformadores, e especialmente como cristãos atuantes. Então decidi apoiar o
Mauricio Coruja e o Artur do A-Sol.
Este blog é para abrir um debate saudável e respeitoso a
partir dos temas apresentados acima e de outros temas que, com certeza
surgirão. Convido você para entrar nesta
roda de conversa, juntos trocando ideias e crescendo na fé, com a missão de ser
uma Igreja samaritana, de ajudar a tirar esta tábua de pregos que tanto ferem
nossos irmãos e irmãs sofredores e a nós, nas necessidades do dia a dia.
Caminhemos com Jesus, oferecendo nossa contribuição para a
transformação deste para um mundo mais justo e fraterno. Sonho de Deus!!



